segunda-feira, 5 de março de 2012

O virtual e a virtualização

Boa tarde amigos! Estudando sobre o assunto na rede, encontrei um site muito bom sobre o nosso assunto.
Matéria que fala da relação entre o virtual e o nosso cotidiano. Como a tecnologia tem entrado em nossas vidas... O texto foi tirado do site Entretextos. Confira:
Quando falamos de informática temos sempre presente um certo receio em nossa
mente sobre os conceitos que se acumulam a seu respeito. Mesmo que aparentemente
os programas com os quais estamos acostumados a utilizar no nosso dia-a-dia nos
pareçam amigáveis, tais como, uma tela de um caixa bancário ou visor de uma
máquina de autenticação de débito ou cartão de crédito, quando pensamos nos
processos que tornam essas operações possíveis engasgamos nas suas definições e
na nossa capacidade abstração para entendermos tais processos. É fato que a
informática em seu conceito mais amplo pouco ou quase pouco está explicitada,
principalmente quando se põe a necessidade de se entender esse universo a partir
da utilização de tal linguagem na educação.
As primeiras questões que surgem
a esse respeito é o que significa esse universo virtual que se apresenta como
irreal, no sentido de inexistente, mas que ao mesmo tempo, em sua essência, pode
e deve ser visto como ponto de realidade de fato e é governado por um sistema,
palavra que nos incomoda muito, que em si não explica nada, senão a uma certa
idéia de execução de todas as relações necessárias para que o virtual se
concretize de fato em meios as nossas ações. Como entender o que faz dos meus R$
1.000,00 (mil reais) lá posto em algum lugar virtualmente em minha conta
corrente que a partir de determinado instante eles se tornam tão reais quanto os
centavos que carrego em minha carteira?
Na verdade, o movimento de
compreensão envolve dois conceitos fundamentais da filosofia aristotélica para a
compreensão: ato e potência; acrescentados pelo conceito de virtual resgatado da
Idade Média.
Em geral, quando pensamos em virtual pensamos o oposto à
realidade, assim, dentro do senso comum, virtual seria aquilo que se opõe ao
real, em um sentido mais estrito aquilo que se apresenta como ilusório, que não
existe aqui e agora. No entanto, sob o aspecto filosófico cabe aqui procurar
aprofundar esse princípio a partir da proposta de Pierre Levy, que tem como
fundamento da questão, sobre o virtual, o conceito dessa idéia na obra de
Deleuze, a saber, Diferrénce e Répétition.
A palavra virtual encontra no
latim sua semântica derivada de virtus, que significa potência, energia. Desse
modo, aquilo que em si possui virtus, tem potência para algo. A princípio essa
compreensão se torna essencial para que se possa fazer a passagem do conceito de
real para o conceito do virtual e desse para o real.
O virtual não se opõe
ao real, pelo simples fato de que nele existem todas as determinações que o
farão real, pois há nele mesmo, em sua essência, plena realidade daquilo que é
de fato. O virtual possui em si todas as determinações do real e é real no ato
em que se torna realidade de fato.
Potência e ato são operações que emergem
e fluem do virtual para o real. Há no virtual toda a forma e a identidade
daquilo que no real se produzirá, não lhe faltando nada, de fato, que lhe faça
diferente no ato em que se torna realidade (2003, p. 269). Enquanto o possível
está para o real como um conjunto de determinações possíveis, no virtual, a
realidade se dá no ato da passagem entre o virtual para o real por meio da
potência contida naquele como determinante deste. Ou seja, o virtual é a
potência para o atual, assim como o possível é para o real. De fato, o que falta
para o virtual é o ato em ser real, aquilo que o fará ser segundo as suas
determinações. Diferente do conceito de possível, que será um conjunto de
determinações que fará que algo seja real e, portanto, possível segundo as
determinações e condições da realidade.
A compreensão desse movimento se
instala na instância da lógica, assim, quando vou a um caixa eletrônico e lá
deposito R$ 1.000,00 em minha conta corrente, nada mais faço que potencializar
na esfera da lógica uma determinação que se fará “ser” no real quando, em
qualquer tempo e espaço, saco a quantia em um outro caixa eletrônico. A
diferença entre virtual e real está em que o primeiro é uma potência determinada
(e também os problemas dessas determinações que serão configurados no real, como
por exemplo, o fato de os R$ 1.000,00 não serem suficientes para a quitação dos
meus débitos) para a minha realidade; e o segundo, quando os atualizados pela
minha opção “saque”, tornam-se, todos os meus valores monetários, realidade em
ato, cujas determinações se completam neste instante. Assim, “o virtual tem para
a realidade uma tarefa a completar, como um problema a resolver; é o problema
que orienta, condiciona, engendra as soluções, mas eles não se assemelham às
condições do problema” (2003, p. 274).
Nesse movimento, o virtual não se
apresenta como ilusório, mas ao contrário, é uma dialética constante entre o
atual e o virtual, em que o atual se configura como uma solução, parcial ou
completa, a partir de forças e finalidades que se apresentam aqui e agora, que
servirão também para alimentar o próprio processo de virtualização. Desse modo,
se por um lado, a árvore está virtualmente contida na semente, por outro, a
árvore contém em ato todas as determinações que a farão ser árvore virtualmente
na semente. O ato responde ao virtual (a semente, o problema) aquilo que lhe é
próprio (ser árvore, a solução) e vice-versa (Levy, 1996, p.17).
Assim, fica
fácil entender que o professor ao recomendar um texto contido em um CD ou em uma
página da Internet para a leitura ou para a pesquisa de um aluno está de fato
sugerindo uma atualização do texto. Aqui, o aluno ao se sentar diante da tela do
computador clicar sobre o linque que lhe foi recomendado, ele está fazendo nada
mais que atualizando as potências contidas em tal texto virtualmente locado,
cujos problemas e soluções ocasionadas pelo texto são apenas partes de uma
dimensão de tempo, espaço e do contexto em que o aluno interpreta a sua leitura.
No instante específico, enquanto o aluno carrega em sua máquina o hipertexto
contido na rede virtualmente, o texto está sendo atualizado pelo próprio
aluno.
Ora, partindo da premissa que o virtual é a potência para o atual, do
mesmo modo, toda vez que pego algo em ato, como real, e passo para o virtual,
nada mais faço que elevar à potência aquilo que se apresenta como ato aqui e
agora, em um sentido inverso da atualização.
A virtualização é uma mudança de
um modo de existir que não abandona absolutamente a essência ontológica da
coisa, apenas não está presente na nossa noção tempo e espaço, nem situado no
real. Porém, não cabe dizer que é irreal. É o abandono de um certo existir, mas
não o abandono do ser, como diria Aristóteles, de um certo isto, de uma forma de
ser, ou seja, não é o abandono da sua essência. Aquilo que está virtualmente
posto está apenas, simultaneamente, desterritorializado (1996, p.17). Segundo
Serres, não é irreal pelo fato de não estar presente nem por ser imaginário, é
virtual por ter todas as condições da existência, embora não haja nenhuma
referência física a seu respeito (1994, p. ??). A referência física no virtual
muda, mas é irrelevante; é o endereço lógico e potencial que determina o ponto
virtual do qual o atual deve ser a resposta, mesmo que esse endereço físico
mude, e isso pouco importa para o ponto de locação do virtual, haverá um
endereço lógico para ser resposta do atual, essencial quanto à solução que
emerge com a atualização.
Desse modo, quando temos em mãos uma foto nossa, a
colocamos em um scanner, em seguida, a enviamos a qualquer endereço virtual,
potencializamos tal imagem que está no nosso porta-retrato sobre a mesa,
lançando-a em um universo nômade e disperso, em tempo e espaço, e que aponta
para uma só dimensão, aquela quando alguém em posse desse endereço a atualiza e
a descarrega em seu próprio tempo e espaço imprimindo tal foto. E assim se faz
com outras coisas, como uma sala de aula de virtual, por exemplo, em que a
presença dos alunos e a dos professores em tal ambiente não se insere no
contexto do irreal, mas nas determinações efetiva daquilo que caracteriza o
aprender e o ensinar, em que a continuidade da ação de uma sala de aula
presencial muda não pela sua essência, mas apenas por uma existência marcada por
uma aparente descontinuidade temporal e espacial que se sincroniza a medida em
que cada membro atualiza o conjunto de determinações que a sala de aula virtual
potencializa.
A rede virtual forma uma teia (net) de pontos, em que cada
computador é um ponto da teia, formando um conjunto de computadores dispersos e
nômades que estão disseminados em qualquer parte do mundo, locados em um tempo e
espaço que só faz sentido determiná-los a partir da sua atualização.

Um comentário:

  1. Chegamos á uma época em que, até o mais humilde cidadão tem acesso a algum tipo de tecnologia que agrega algum tipo de valor e\ou qualidade de vida.

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